Qual a relação entre obesidade e diabetes?

Existe uma relação entre obesidade e diabetes?

Enquanto o diabetes já atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é considerada uma epidemia mundial. Segundo dados divulgados pela OMS Organização Mundial da Saúde em novembro de 2014, a previsão era de que em 2015, cerca de 700 milhões de pessoas no mundo seriam consideradas obesas.

No Brasil, o número de pessoas acima do peso já chega a 70 milhões, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM. Desse total, cerca de 18 milhões são classificados como casos de obesidade. Mas existe uma relação entre obesidade e diabetes?

Segundo a nutricionista Talita Pigato, existe. E isso acontece porque as condições que levam ao sobrepeso também são responsáveis por causar o diabetes tipo 2, além do próprio funcionamento do organismo se transformar quando há excesso de gordura corporal. “Maus hábitos alimentares e sedentarismo associam-se ao desenvolvimento da obesidade.

Isso faz com que as necessidades de insulina aumentem, já que os receptores da própria insulina diminuem. Dessa forma, percebemos que a obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes”, explica.

O diabetes acontece quando o corpo não consegue produzir insulina suficiente para levar o açúcar para dentro das células, causando a hiperglicemia. A nutricionista Talita explica que o diabetes do tipo 1 ocorre quando a defesa do organismo ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção da insulina.

Já a do tipo 2 é adquirida com o tempo, por conta do abuso de carboidratos de absorção rápida (os refinados) e doces. “Nesse tipo de diabetes, a pessoa se torna resistente à insulina ou ainda não produz uma quantidade adequada”, conta.

O que é obesidade?

Uma doença crônica caracterizada pelo excesso do acúmulo de gordura corporal em um indivíduo, a obesidade é diagnosticada quando o cálculo do IMC – Índice de Massa Corpórea, sugerido pela OMS – Organização Mundial da Saúde, apresenta resultado igual ou superior a 30, indicando que o acúmulo de gordura corporal está muito acima do considerado ideal.

Além dos desconfortos gerados pelo excesso de peso, a obesidade também oferece um aumento no risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2, doenças respiratórias e depressão. Como consequência disso, a expectativa de vida das pessoas que sofrem com a obesidade também é reduzida em comparação às pessoas que estão com peso adequado

. Inclusive, de acordo com a ABESO – Associação Brasileira de Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica, o índice de falência terapêutica (quando o corpo não responde ao tratamento), na obesidade, é muito maior que nos casos de câncer. Assim, não é para menos que ela seja uma das doenças relacionadas ao óbito de aproximadamente 2.390 pessoas no Brasil só em 2011, segundo dados do Datasus – Departamento de Informática do SUS.

Mas por que engordamos e ficamos obesos?

Os principais fatores relacionados ao ganho de peso são o sedentarismo e hábitos alimentares não ou pouco saudáveis, que incluem o consumo de alimentos ricos em gorduras, açúcares e de produtos refinados. Mas, ao contrário do que se pode pensar, a obesidade não é desenvolvida apenas por questões relacionadas a maus hábitos alimentares e sedentarismo.

Ela também pode ser resultado de situações que incluem fatores genéticos, como o hipotiroidismo, a síndrome de Cushing, a depressão e alguns problemas neurológicos.

Como os fatores que podem levar à obesidade são diversos, consultar um endocrinologista e, também, um nutricionista torna-se indispensável. Ambos os especialistas serão responsáveis por investigar e identificar as causas do ganho de peso e, assim, tratar corretamente

Relação entre diabetes e obesidade

Quando passamos a entender a maneira como o diabetes age no corpo, fica mais simples de compreender a relação com a obesidade. Alimentação desregrada com carboidratos refinados em excesso e sedentarismo causam o acúmulo de gordura e também podem levar o organismo a se tornar resistente à insulina.

A notícia boa, segundo a nutricionista Talita, é que muitas vezes o diabetes pode ser controlado com “o aumentando da atividade física e redução de peso por meio de uma dieta adequada com ajuda de um nutricionista”, salienta.

Como prevenir diabetes e obesidade

Talita explica que para deixar o diabetes bem longe é recomendável adotar uma alimentação balanceada e bem distribuída ao longo do dia, à base de alimentos naturais, com carboidratos de absorção lenta e ricos em fibras, proteínas magras e gorduras boas. “É importante evitar carboidratos refinados, como pão branco, macarrão, açúcar, doces, balas, refrigerante etc. Se der vontade, o segredo é consumir esses alimentos muito esporadicamente”, comenta.

Ela ainda aponta que a prática de atividade física também ajuda a reduzir as chances de desenvolvimento dessas patologias.

Alimentação para quem tem diabetes

Segundo a nutricionista Talita, a alimentação para quem já tem diabetes não é muito diferente da usada para a prevenção. “Claro, é necessário aprender a contagem de carboidratos para controlar a glicemia. Um nutricionista clínico pode ajudar muito nessa hora! E é extremamente recomendável a diminuição do peso corporal e da gordura corporal, para quem está acima do peso”, recomenda.



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